domingo, 8 de fevereiro de 2009

Alan Moore Parte 1 - Uma vida




Estando a algumas semanas da estréia de Watchmen nos cinemas é normal existir uma certa curiosidade sobre seu autor, Alan Moore.
Sem dúvida, Moore é um dos maiores autores das Histórias em quadrinhos e muitos chegam a dizer que ele é “o melhor escritor de quadrinhos que já existiu”, que pode ser vista como uma afirmação exagerada.
Proponho anallisar sua vida e obra neste texto, para podermos definir se ele merece estar neste “altar”.

Alan Moore nasceu em 18 de Novembro de 1956 em Northampton, Inglaterra. Filho de Ernest Moore e Sylvia Doreen. Passou sua infância morando em um bairro pobre, formado por operários industriais das recém-criadas fábricas ao redor da região.

Aos 7 anos, em 1961, conheceu e se apaixonou pelos quadrinhos da DC Comics, especialmente o Superman, que , segundo Moore, moldou parte de seu caráter. Alguns anos depois, sua mãe comprou por engano a edição 3 de Fantastic Four, onde ele conheceu e se tornou fã de Jack Kirby.

Alan era um bom aluno no primário, seus problemas começaram quando passou a estudar em uma escola onde a maioria dos alunos tinha bons recursos financeiros e tiveram uma educação muito melhor que a dele, a cada ano seu desempenho escolar diminuía até que foi expulso da escola, aos 17 anos, por uso e tráfico de drogas.

O diretor do colégio tinha desafeto pessoal com o garoto Moore e fez questão de escrever uma carta a todas as escolas da região, acusando-o de ser um “sociopata” e má influência para qualquer aluno, impedindo assim, que Alan conseguisse ingressar em qualquer outra escola. Sem poder estudar, Alan trabalhou em um matadouro e limpando banheiros em um hotel.

Iniciou sua carreira nos quadrinhos ao publicar algumas tiras em fanzines locais como Back Street Bugle e Dark Star, além da história “Roscow Moscow” para revista Sounds, onde assinou como Curt Vile. Foi em 1979 que começou a escrever e desenhar para o jornal Northants Post a tira “Maxwell, The Magic Cat”, sob o pseudônimo de Jill de Ray (alusão ao serial killer francês Gilles de Rais, acusado de matar dezenas de crianças).
Alan Moore acabou percebendo que era muito melhor escritor que desenhista, mas continuou com as tiras de Maxwell por sete anos, tornando-as seu trabalho mais longo nas HQs.

Casou-se em 1974 com Phyllis e em 1977 teve sua primeira filha, Leah Moore.



Em 1981, Moore começou a trabalhar para a divisão britânica da Marvel Comics, nas revistas “Dr. Who” e “Star Wars” e também colaborou para recém-criada antologia 2000AD.
Apesar da falta de liberdade criativa desta época, Moore imprimiu sua marca nas histórias como “D.R. & Quinch”, sobre alienígenas delinqüentes em um conto satírico e com certo humor negro. Na série “Skizz”, que conta a história de um alienígena perdido na Terra, contendo altas criticas a sociedade moderna, Moore trabalha com a imaginação do leitor, porém sua principal série nesta fase foi “A Balada de Halo Jones”, sua primeira história a ter fundo claramente político, mesmo se passando no século 50, onde a jovem Halo Jones vive uma Jornada de auto-conhecimento e frustração em busca de um emprego, mas só encontra as lástimas e maldades do mundo num futuro praticamente inimaginável para quem vivia nos anos 80. A arte aqui é de Ian Gibson.

No mesmo ano em que nasceu Amber, sua segunda filha, Alan começou a escrever as histórias do “Capitão Bretanha” para Marvel UK com os desenhos de Alan Davis, foi com este personagem que Moore usou pela primeira vez um conceito que o próprio reutilizaria algumas vezes que é o de desconstruir um personagem para moldá-lo a sua maneira, foi também nesta série que Moore “criou” o Universo Marvel 616, considerado até hoje como o “oficial” da editora, "Capitão Bretanha" foi a série precursora do titulo “Excalibur”, roteirizada por Chris Claremont e ilustrada por Alan Davis.

Mesmo tendo seu trabalho reconhecido, a grande chance de Alan Moore estaria na recém-criada revista “Warrior”, pra qual começou a escrever em 1982. Moore publicou aqui “The Bojeffrie’s Saga”, “Marvelmen” e “V de Vingança”, dentre as quais apenas a primeira foi concluída na própria Warrior.
Enquanto sua fama nos quadrinhos só aumentava, Moore arranjava tempo para outros projetos como o disco de sua banda “The Siniter Ducks”, lançado em 1983 incluindo o single “The March of Sinester Ducks”.

Mesmo incompletas, foram as histórias publicadas na Warrior que projetaram Moore para o mundo e, principalmente, para o mercado Norte-americano de HQs, mas isto fica para Parte 2 desta matéria.




Curiosidades:

- Veja aqui a tira Maxwell, The Magic Cat, escrita e ilustrada por Alan Moore (para maiores de 14 anos, em inglês)
- O clipe da música "The March of Sinister Ducks" pode ser visto aqui.


Parte 1
Parte2>

Parte 3>
Parte 4>

1 comentários:

Capitão Brasil RADIOATIVO disse...

Legal, mas Berardi>Alan Moore

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