sexta-feira, 30 de abril de 2010

Sim, eu vi Homem de Ferro 2 (por Capitão Brasil)


"O Cavaleiro das Trevas" não é um filme sobre o Batman. É sobre poder e caos.


"X-Men 2" não é um filme sobre mutantes. É sobre preconceito e paz.

Estes filmes citados, são, de longe, os dois maiores filmes de super-heróis já feitos nos últimos 10 anos.E não são sobre esses super-heróis.

O maior mérito das adaptações do "Homem de Ferro" é fugir desta linha proposta pelos filmes acima. É ser um filme sobre o personagem, captando, sem exclusão, toda a essência que existe em seu universo.

Isso não faz da adaptação, de maneira nenhuma, um filme ruim. Os dois primeiros Homem-Aranha, que são filmes magníficos, também abordam, unica e exclusivamente, o personagem e seu universo.

Mas, em "Homem de Ferro 2", isso fica mais evidente do que em sua primeira parte.

Mas, parando as divagações nescessárias em uma crítica, vamos ao filme.

A história não é básica e simplista. Tony Stark está sendo, aos poucos, morto pelo elemento que dá descarga ao seu reator. E, com um problema desses, não podemos nos preocupar com as ocupações necessárias em uma grande empresa como as Indústrias Stark. Por isso, logo no início do filme temos Pepper Potts, sua eficiente secretária, sendo "promovida" a CEO da empresa.

Mas, além disso, Stark tem outro grande problema nas mãos. O exército dos Estados Unidos, apoiado pelo Senador Stern e por Justin Hammer (fornecedor tecnológico das forças armadas estadunidenses) , quer a tecnologia do Homem de Ferro, o que gera um conflito com James Rhodes, coronel da aeronautica que é o melhor amigo de Tony Stark.

Paralelamente a isso, temos Ivan Vanko (que nos quadrinhos se chama Mark Scarlotti e não é russo), um ex-presidiário amargurado que acaba de perder seu pai, que ajudou a criar o reator ark com Howard Stark. Então, usando o esboço do pai, Ivan resolve construir um reator e se vingar. Quando não consegue, vai atrás de Justin Hammer, já que os dois tem, em comum, o objetivo de destruir Stark.

O desenvolvimento da trama é o ponto alto do filme. Mesmo com tantos personagens e tramas (sem falar nas referencias para filmes da Marvel) o filme se sai muito bem em termos de ritmo.

Aliás, este desenvolvimento se mostra uma antítese a "Cavaleiro das trevas".Sem divagações ou enrrolações, o roteiro consegue ser inteligente sem se levar a sério demais. O fator "danem-se, são só super-heróis!" é forte, mas, cai bem. Um tom frio, calculista e sombrio seria simplesmente uma desgraça a um personagem que se mostra tão a vontade fazendo piadinhas irônicas a todo o momentos.

Mas nem tudo são flores. O amontoamento de elementos no roteiro acaba gerando uma série de furos muito grande, que serão listados aqui:

# James Rhodes conseguir controlar a armadura Mark II sem nenhum conhecimento cientifico/mecânico.

#Chicote negro saber que Tony Stark ia pilotar o carro de corrida, sendo que o filme afirma (em forma de piada, totalmente dispensável para evitar esse furo) que ele expulsou o piloto de última hora e foi correr.

#A SHIELD de Nick Fury e Viúva Negra (ambos ótimos e muito fiéis aos quadrinhos) ter uma solução simplista para as dores de Tony Stark, solução essa, que ele nem cogitou.

Já o quarto furo, se refere ao legado deixado por Howard Stark, pai de Tony. Uma espécie de "novo elemento da camada periódica" que pode abastecer o reator sem causar reações tóxicas.

A forma como Howard deixa isso (escondido em uma maquete) é muito básica, forçada. Mas mesmo assim, John Favreu realiza isso de uma maneira tão integra, tão bela, que esse furo é totalmente descartavel. Aliás, os outros furos também são descartáveis. John Favreu faz um ótimo filme falho, do tipo que agrada ao grande público e a críticos malas que nem eu.

Então, temos um universo.

Assim como "Homem de Ferro", esse filme não fala de enredo, e sim do personagem. Por isso, não é um grande filme, que transcende a barreira de "filme super-heróico". Não, pelo contrário, assume esse rótulo com orgulho, dando uma ênfase impressionante ao personagem e colocando tudo, eu disse TUDO que possa ser elementar para se concluir o universo desse interessante personagem.

Isso vai desde usar o Máquina de Combate como "ajudante de luxo" até ter inimigos focados na espionagem industrial.

Isso vai desde fazer questão de mostrar a SHIELD no filme e utilizar muito bem recursos como o escudo do Capitão América, Nick Fury, Viúva Negra entre outros.

Todo o fã do HDF vai reconhcer o personagem lá. E o universo que o rodeia. E pra isso, não foi necessária uma grande trama livre de erros, apenas uma direção competente que foque o personagem e deixe o universo como uma espécie de "plano de fundo". Não é incompetência cultural, e sim inteligência comercial.

Enfim, este filme não vai entrar pra história por quebrar preconceitos, mas sim por ter assumido eles com uma bravura admirável.

Nota: 8,0
ps: DE FORMA ALGUMA SAIA ANTES DOS CRÉDITOS ACABAREM!

2 comentários:

Electrolux Guyferd disse...

Apesar dos poucos minutos que tenho aqui para ler seu post, li muito e além de achar sua redação agradável, concordei com tudo o que disse, passando pela análise sobre Cavaleiro das Trevas, X-Men e Homem Aranha.

Casualmente sou um avesso a ir em cinemas hoje em dia, e quando vou curto assistir os créditos até o final (sendo praticamente expulso pelas luzes e até pelos projetistas desligando antes do final), mas fiquei ainda mais ansioso por comprar o DVD e assistir o novo filme com calma em casa :)

Capitão Brasil RADIOATIVO disse...

Mas meu amigo, projetistas não podem te expulsar de maneira alguma!

Você pagou, tem o direito de ficar até o filme COMPLETO acabar oras!

Valeu pelos elogios cara!

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